Neste dia, deseja-se oferecer elementos de reflexão para a crítica das demandas liberais/conservadoras ao trabalho do Assistente Social, visando consolidar um projeto político alternativo.
Ser Assistente Social é assumir o compromisso com o projeto Ético-Político do Serviço Social, cujo debate teve início na década de 1990, centrado na transição da década de 1970 para a dos anos 80, período em que passaram a se configurar os movimentos de recusa e de crítica ao conservadorismo profissional.
Lutar por um projeto profissional implica, necessariamente, na escolha de valores que o legitimam, em que os planejamentos coletivos devem ser priorizados. O projeto é construído pela categoria, num universo heterogêneo em que existem origens sociais diversas, condições intelectuais distintas e comportamentos e preferências teóricas, ideológicas e políticas variadas. É o espaço plural do qual podem surgir profissionais diferentes; campo de tensões, lutas e contradições.
O pluralismo não deve ser confundido com ecletismo e liberalismo. É um elemento necessariamente presente na vida social e na profissional, que exige o máximo de respeito, sendo um princípio democrático que não impede confronto e luta de ideias.
É preciso conhecimento e competência para gerir um projeto societário alternativo ao das classes dominantes, para evitar o messianismo e fatalismo, reconhecendo no confronto os limites, ressaltando que as divergências e suas expressões sempre requerem uma fundamentaçãosobre valores de natureza explicitamente ética não se esgotando neles, porque a valoração ética atravessa o projeto profissional como um todo, daí o entendimento da nominação contemporânea de Projeto Ético-Político.
Em síntese, podemos dizer que a indicação ética só adquire efetividade histórico-concreta quando se combina com uma direção político-profissional.
Convidamos todos profissionais do Serviço Social a compreender a existência do núcleo central do nosso projeto, que é o reconhecimento da liberdade como valor central, concebida historicamente como possibilidade de escolha entre alternativas concretas; o compromisso com a autonomia; a emancipação e a plena expansão dos indivíduos sociais; defesa intransigente dos direitos humanos e a recusa do arbítrio e dos preconceitos, contemplando positivamente o pluralismo, tanto na sociedade como no exercício profissional.
Parabéns a todos os profissionais que lutam por um mundo mais justo e igualitário.
Diva Maria Patrício
Assistente Social – Advogada – Profa. Mestre em Educação